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Fev 09

 

 

Entrevista a Madalena Santos, autora de Terras de Corza - O Décimo Terceiro Poder

Recentemente a editora Gailivro publicou mais uma autora na colecção Jovens Talentos. Chama-se Madalena Santos e lançou no passado dia 21 de Abril, no fórum da Maia, o livro Terras de Corza - O Décimo Terceiro Poder.

Esta jovem autora nasceu em Maio de 1987 e é natural da Maia. É estudante na Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Concluiu com distinção o curso de teclado electrónico na Escola de Música Fernando Carneiro. Participou em concursos literários do Jornal Comércio do Porto, na secção Cantinho do Nicolau.

Foi Interact do Clube Rotary de Ermesinde, no momento é voluntária de Apoio Geral da Cruz Vermelha, Núcleo da Maia, e membro do Banco do Tempo de Valongo.

Por ocasião do lançamento do livro O Décimo Poder, concedeu esta entrevista à Épica

- O que podem os leitores esperar encontrar em Terras de Corza - O Décimo Terceiro Poder?

- O Décimo Terceiro Poder é uma história que se debruça na vida de uma donzela de Corte, Neferlöen, que, devido à conjuntura do momento, se viu subitamente nomeada Dama de Guerra, pronta a representar o seu pai adoptivo, o Rei de Levionda, nas terras meridionais do reino. As Terras de Corza são vítimas de um inimigo cuja identidade é desconhecida. Vulgarmente tratados por Intrusos de Negro, esses guerreiros pretendem reunir todos os tronos das Terras de Corza num só homem. A Neferlöen foi incumbida a responsabilidade de os derrotar e identificar esse desconhecido. Entretanto, surgem vários problemas que vão desde crises dinásticas a segredos familiares de várias gerações. Neferlöen destaca-se como uma verdadeira líder, que terá de enfrentar um mundo masculino, mas surpreendendo com a sua ousadia e determinação. O seu destino cruza-se com o amor, uma relação que, no final, será crucial quer para a realização da personagem quer para o término de todo o enredo.

- Fala-nos um pouco acerca do processo da escrita e publicação. Foi fácil publicar o livro?

- Foi tudo um imprevisto muito agradável. Comecei a escrever aos doze anos; até aí eram pequenas histórias, que passavam pela banda desenhada ou por rimas. Mas nessa idade irrompeu um grupo de personagens às quais dediquei cerca de três anos. A história desenvolvia-se num mundo completamente fantástico, numa dimensão paralela com elementos mágicos, que atingiu o tamanho de dois livros e um pouco mais. Mas aos quinze anos já não me identificava com o que escrevia: a minha linguagem escrita tinha evoluído, as influências do que lia na altura eram expressivas, eu sabia que era capaz de melhor. Foi então que larguei todo esse projecto quando, por acaso, as Terras de Corza nasceram. Durante quase dois anos trabalhei n’O Décimo Terceiro Poder e finalmente estava satisfeita com o resultado. (Em pequenos intervalos desta criação, concedi algum tempo a pequenos contos policiais e de suspense, bem sombrios.) Ao fim desse tempo, o monte de papelada parou numa estante, pronto a ser esquecido, não passando de uma invenção minha, sobre a qual só pousaram os olhos da minha irmã. Algum tempo depois, a minha família, em especial o meu pai, sugeriu-me que enviasse a obra para alguma editora, mais na intenção de conhecer a opinião profissional, no intuito de corrigir as minhas falhas. Isto no final do ano de 2004. Enviei então unicamente para uma editora, as Edições Gailivro. Para minha grande surpresa, em escassos meses recebi um telefonema da Editora, que estava disposta a apostar na minha criação. Estou extremamente agradecida à Gailivro, porque, para além de ter analisado profundamente o livro, achou-o digno de publicação. E, efectivamente, a brevidade foi de louvar. Concretizava-se um sonho que achava inatingível

- Terras de Corza faz parte da colecção “Jovens Talentos” que publicou Christopher Paolini e Inês Botelho. Notei, no entanto, que o livro foi designado como um romance de cavalaria e não fantasia. Porquê esta opção?

- Apesar das Terras de Corza serem um espaço completamente inventado, o ambiente vivido pelas personagens é reflexo de uma Idade Média na Europa mediterrânica. Como se tudo o que acontece a Neferlöen pudesse ter acontecido na época medieval europeia, porque não se registam magias ou seres fantásticos, nem roupagens ou armas desconhecidas. Não tem os elementos habituais e tão característicos do livro de fantasia.
- Como explicas esse fascínio pelo medievalismo na literatura fantástica existente em muitas obras pertencentes ao género, inclusive na tua própria obra?

- A época medieval é considerada uma altura de trevas, em que o mais forte imperava e os outros se submetiam a uma vida cruel. Mas a Idade Média é também recheada de elementos de um ambiente propício a grandes aventuras, em que o homem conta unicamente com a sua força física e a sua perspicácia, enfrentando olhos nos olhos os seus medos e os maiores obstáculos da sua vida, liberto de regras quando viaja, sufocado pelas manipulações e conspirações quando se encontra nos centros do Poder. Esse tipo de contraste proporciona oportunidades únicas em que se pode criar narrações sem fim. Para complementar, a mentalidade supersticiosa da altura conduz-nos ao mito e ao medo perante o desconhecido. Ninguém tinha coragem de fugir à vida quotidiana; aqueles que avançam, destemidos, eram heróis que descobriam novos mundos. Todo esse aroma épico de cavalgadas em terras aradas por alfaias de madeira e de devaneios nos corredores abastados dos poderosos, misturado com as crenças metafísicas, ajuda a dar um passo a caminho do fantástico. Realiza-se assim um abandono do habitual para aquilo que a mente humana tanto cultiva: a imaginação está sempre pronta a saborear o que não descobre pelos cinco sentidos. Antes da Época Clássica, é demasiado primitivo e desconhecido; a Antiguidade é riquíssima mas o seu ambiente é muito rígido; as eras posteriores à Idade Média têm relatos e crónicas cada vez mais completas, não deixando muitas lacunas para a imaginação completar. É a época ideal para servir de alicerce num mundo fantástico.

- A personagem principal é uma donzela que “não se trata de uma Joana D’Arc, mas de uma figura assumidamente mulher que demonstra a força da sua coragem e da sua inteligência em múltiplas situações até à vitória final”. Este livro pode também ser entendido como uma homenagem às mulheres?

- Realmente, louvar as virtudes de uma mulher numa época tão pouco feminina – em termos de poderio – pode homenagear as mulheres, mas a ideia era criar uma personagem completa e polémica; ser mulher num mundo de homens faculta diversos modos de enriquecer a intriga, os atritos florescem a todo o momento, complicando a toda a hora o destino da personagem. Não é a ideia primordial, mas de facto o enredo reconhece a força da mulher, que esteve e está sempre presente, só foi ofuscada pelas mentalidades, mas nunca esteve extinta.

- O que é um bom livro de literatura fantástica para ti?

- O que qualquer bom livro deve ser: tem de convencer o leitor que está a viver a história, que é verdade, fazendo-o deixar a realidade para se sentir na pele das personagens ou como um observador muito próximo. A literatura fantástica conta com a particularidade de lutar contra o ridículo; tantas invenções podem cair numa rotina pouco original e pouco convincente. E normalmente se desenvolve num universo inédito, logo a articulação de todos os pormenores deve exaustivamente formar um verdadeiro mundo. É essa a riqueza deste estilo.

- Que autores nomearias como influências na tua escrita?

- Pelo menos comigo, há livros que marcam alturas. Era muito nova quando Dentes de Rato, de Agustina Bessa-Luís, quebrou uma torrente de livros de Uma Aventura e Os Cincos e outros similares para me fazer descobrir um ambiente novo, que tanto me intrigou como me cativou. Mais tarde, quando ainda ninguém conhecia, fui mordida pelo bicho do Harry Potter. Entretanto, comecei a ter uma tendência cada vez mais acentuada em direcção aos históricos. Ainda a obra de Juliet Marillier e, em especial, a sua trilogia Sevenwaters, me deixou um gosto específico pela cultura celta. J. R. R. Tolkien também passou pelas minhas mãos com distinção. Actualmente estou enfeitiçada pela escrita de Umberto Eco e ando a vaguear na leitura de Steven Saylor. A minha escrita tem pequenos retalhos de todas as vivências que tenho. É o contacto com os amigos e a realidade mundial que me inspiram. A História do Mundo é a minha maior influência. Evidentemente que sentimentos suscitados numa ou noutra leitura me influenciaram, por isso, nomeio Juliet Marillier pela profundidade das personagens e J. R. R. Tolkien e Umberto Eco pelos universos grandiosos e absolutos que criaram nas suas obras. Esses são dois objectivos cruciais na minha actividade.

- Que conselhos darias a uma pessoa que queira ver o seu manuscrito publicado?

- Nem sempre é à primeira que o que escrevemos é suficientemente bom para satisfazer a nós próprios e aos outros. É necessário ruminar no que escrevemos durante bastante tempo e as correcções devem ser feitas com cabeça fria e de modo exigente. A partir de um momento, difícil de definir, não dá para adicionar mais pormenores; só se procede ao aperfeiçoamento tipográfico, porque acrescentar significa quebrar a homogeneidade da história. Depois, é um golpe de sorte e de determinação o envio a uma editora. A partir daí não está nas mãos do autor; é esperar pacientemente. Se não resultar à primeira, há dezenas de editoras para experimentar. Há casos famosos e flagrantes que mostram como o já referido factor humano falha, sem intenção.

 

OPINIÕES DOS LEITORES

- Eu sou a Joana e tenho 15 anos a minha mãe ofereceu-me o livro pelo Natal e eu adorei!!;) Adorei as história e as personagens. Até consegui ler o livro em três dias, quando o acabei não parei de falar nele!! Espero que escrevas mais assim!!   :) beijos Joana

 

- Oi, sou o Miguel, ando no Colégio de Quiaios, sei que (posso tratar-te por tu) vens cá à Feira do Livro. Assim que a professora falou do acontecimento e do livro fique interessado, achei que era uma boa oportunidade para começar a ler (pois antes ler não era comigo). Acho o livro bastante interessante apesar de ainda não o ter lido todo. Espero que continues a Escrever mais livros. Beijos do Miguel.

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publicado por bibliojorgemontemor às 03:57

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